Psicóloga CRP 06/84928

Psicanalista Membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto

A psicanálise é em essência, a cura pelo amor.

- Freud

Atendimento Clínico e Supervisão

Online ou Presencial

Sou Patricia Bolfe, psicóloga e psicanalista com mais de 15 anos de experiência. Minha carreira é marcada por atendimentos em saúde mental, tanto em consultórios particulares quanto na rede pública. Me formei pela Universidade do Sagrado Coração em Bauru, São Paulo, e desde jovem, fui fascinada por dramas policiais e mistérios. Essa paixão inicial acendeu em mim um profundo interesse pela complexidade da mente humana.

Desde o início da minha trajetória acadêmica, senti uma forte inclinação para a psicologia clínica e, especialmente, para a psicanálise. Minha pós-graduação em Psicoterapia Psicanalítica pelo Núcleo de Psicanálise de Marília e Região, em parceria com a Univem, foi um passo importante para que eu pudesse me candidatar para iniciar a formação Psicanalítica reconhecida pela International Psychoanalytical Association (IPA) na Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto.

Em minha prática psicanalítica valorizo o estudo, análise pessoal e supervisão clínica. Acredito firmemente que o objetivo da análise é compreender cada pessoa em suas angústias e potenciais, para que ela se desenvolva para além das expectativas e normas sociais. Esta abordagem reflete meu compromisso com o crescimento individual e a autenticidade.

Com a evolução da tecnologia e a necessidade dos tempos atuais, ampliei minha prática clínica, realizando sessões e supervisão online, alcançando pessoas de diferentes localidades. Minha trajetória é um testemunho da minha paixão contínua pelo aprendizado e minha dedicação em ajudar meus pacientes a alcançar uma boa qualidade de vida mental.

INDICAÇÕES CULTURAIS:

Rua Martília Butarello, 324

Bairro: Bela Vista
Itápolis / SP

Véspera

Contém spoiler!!

Em Véspera, de Carla Madeira, a narrativa não se organiza em torno de uma resolução, mas de uma falha: a falha do encontro. O desaparecimento de Augusto e o fato de ele não ser encontrado não funcionam como enigma a ser desvendado, mas como eixo simbólico a partir do qual o romance se desenrola.

O que se impõe não é a pergunta “onde está Augusto?”, mas “o que acontece quando ninguém é encontrado?”. E a resposta não está em um personagem isolado, mas na trama silenciosa que atravessa todos eles. Cada um, à sua maneira, se cala no não encontro.

Winnicott, grande teórico da psicanálise, ao pensar o brincar, formula uma imagem preciosa:

“É um sofisticado jogo de esconder em que é uma alegria estar escondido, mas um desastre não ser encontrado” (Winnicott, 1963a/1990, p. 186).

Essa frase oferece uma imagem potente de leitura. O esconder, no campo psíquico, só é possível quando existe a confiança de que alguém virá procurar. O jogo depende de um outro suficientemente presente, capaz de sustentar a busca. Quando essa condição falha, o brincar se rompe e o esconder deixa de ser jogo para se tornar abandono, desamparo.

Augusto parece ocupar exatamente esse lugar: o daquele que se esconde, ou desaparece, sem que haja um outro capaz de encontrá-lo. Seu não encontro não é apenas físico, é relacional, simbólico e psíquico. Ele encarna aquilo que não pôde ser visto, acolhido ou simbolizado.

Mas a força da história está em não restringir essa lógica a ele. Os demais personagens também se movem nesse território de falhas. Aproximam-se, mas não se encontram. Falam, mas não se escutam. Intuem algo do outro, mas recuam diante do risco de sustentar o vínculo. O silêncio não aparece como ausência de palavras, mas como impossibilidade de um verdadeiro encontro.

Assim, o desaparecimento de Augusto não é um evento isolado, mas a expressão máxima de uma dinâmica já em curso. Ele apenas torna visível aquilo que já atravessava o campo relacional: quando não há quem procure, o sujeito se perde.

Talvez seja por isso que o final de Véspera produza tanto desconforto. Não há fechamento, porque não houve encontro. Permanecemos em estado de véspera, à espera de algo que não se cumpre. E é justamente nessa espera frustrada que o livro toca um ponto sensível da experiência humana: o risco psíquico de existir sem ser encontrado pelo outro.

Véspera não oferece consolo. Oferece uma pergunta silenciosa: o que fazemos quando o jogo do se esconder já não conta com ninguém que venha buscar?

Disclaimer

Recentemente assisti a uma série que me impactou profundamente. Demorei alguns dias para digerir tudo o que vi e senti e, de tão tocada pela história, gostaria de compartilhar minhas impressões.

Disclaimer pode, à primeira vista, parecer uma simples série de suspense, mas se revela como uma trama que nos confronta com segredos escondidos e sentimentos silenciados – aqueles que, muitas vezes, enterramos em nós.

Catherine, uma jornalista bem sucedida, se desestabiliza ao receber um livro que revela detalhes obscuros de seu passado. A série nos leva a questionar: o quanto da nossa história é narrada por nós mesmos e o quanto permanece guardada, esperando o momento para emergir e nos confrontar?

O livro que surge como um “objeto estranho” simboliza o encontro inevitável de Catherine com o que tentou evitar. Mais do que um catalisador da trama, ele é um elo perturbador entre passado e presente, materializando a força com que memórias, aparentemente guardadas nas profundezas da mente, podem retornar e desafiar a identidade que construímos.

A relação de Catherine com seu filho revela as marcas profundas que traumas podem deixar na maternidade.

Pequenos gestos ou distâncias aparentemente comuns carregam camadas de sentimentos não ditos, dando à narrativa uma dimensão emocional intensa.

Outro tema que atravessa a série é a dificuldade enfrentada pelas mulheres em serem levadas a sério quando se trata de crimes sexuais. Não como uma crítica social explícita, mas como um retrato sensivel de como o silenciamento e o descrédito podem amplificar a solidão de um trauma.

A série é um convite a refletir sobre a relação entre memória, culpa e desejo. O que fazemos quando a vida que construímos é questionada?
Disclaimer está disponível na Apple TV+ e vale cada minuto!!

Wanderlust

Wanderlust é uma série pouco comentada nos sites de entretenimento, mas de um grande e intenso conteúdo para refletirmos sobre processos muito íntimos de relação com o outro e consigo mesmo.

Joy, uma terapeuta de meia idade com dificuldades no casamento e em recuperação física após um grave acidente de bicicleta, começa a fazer tentativas de resgatar a paixão pelo seu relacionamento, sua família e sua vida. Para isso, Joy alterna entre conflitos até perceber o real motivo de seu desinteresse.

A série mostra como o caminho para conhecer a si mesmo pode ser perigoso, empolgante, nebuloso, mas que acima de tudo requer muita coragem.

Disponível na Netflix.

Pedro Almodóvar

Recentemente a Netflix incorporou ao seu catálogo uma série de filmes do premiado cineasta Pedro Almodóvar, entre os títulos estão: “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988), “Carne trêmula” (1997), “Fale com ela” (2002), Má educação” (2004), “Volver” (2006) e seu mais recente trabalho, “Mães paralelas” (2021), que rendeu duas indicações ao Oscar: melhor atriz para Penélope Cruz e melhor trilha sonora original para Alberto Iglesias.

Mães Paralelas conta a história de duas mulheres que se conhecem no dia do nascimento de suas filhas, mesmo através desse breve, mas intenso contato, Janis e Ana criam um profundo vínculo, palco para uma inquietante descoberta que transformará suas vidas.

Como pano de fundo, Almodóvar traz um contexto político, ao tratar do assunto de pessoas desaparecidas durante a guerra civil espanhola.

Ambos os contextos nos mostram que a história se recusa a ficar calada.

Tudo é Rio

“Tudo é Rio”, o romance inaugural de Carla Madeira, desvenda uma trama madura, precisa e poética, mergulhando no intrigante triângulo amoroso entre os personagens densos e emocionalmente bem construídos: Dalva, Venâncio e Lucy.

A história gira em torno do casal Dalva e Venâncio, cujas vidas sofrem uma transformação impactante após um evento traumático desencadeado pelo ciúme doentio do marido.

A entrada de Lucy, uma figura cativante e enigmática da cidade, acentua a complexidade dos relacionamentos.

A habilidade da autora em explorar esse enredo sem cair em estereótipos é notável, criando uma narrativa amorosa e envolvente que também aborda a dificuldade e o medo de formação de vínculos afetivos significativos.